Desafio Literário - 13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

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Desafio Literário - 13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

Mensagem por Tânia Souza em Ter 13 Abr 2010 - 14:43

13 de Abril - Dia Internacional do Beijo


Inspirando-se não somente na data, mas na palavra beijo em si, escreva seu conto.

Se desejar, ilustre com imagens.
Não há limite de linhas, pode ser um conto tradicional ou um miniconto.

O prazo para postagem é de uma semana.
Ou seja, até a próxima terça-feira, dia 20/04/2010

Divirtam-se!


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Última edição por Tânia Souza em Ter 13 Abr 2010 - 14:58, editado 2 vez(es)
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Re: Desafio Literário - 13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

Mensagem por Tânia Souza em Ter 13 Abr 2010 - 14:49

O beijo!
Por Tânia Souza



Não bani os fatos da memória, são apenas detalhes que vislumbro. O resto perdeu a densidade em meio ao universo sinestésico que vivo. Lembro do cheiro, das vozes, as cores e pulsações. Nada mais. Aquele 13 de abril - dia do beijo - amanheceu cinzento, quando me encaminhei para o calor sufocante das salas e das vozes aglomeradas. Livre enfim, sai tentando desviar da algazarra no corredor. Entre as risonhas feras, a euforia indicava que mais um ritual de passagem iniciava-se naqueles cantos quase escondidos da escola. Mais uma prova que queimaria os sentidos das vitimas em potencial, instigava a turba que bradava e seria lembrada para sempre como a primeira vez em que dois lábios se encontrariam para enfim conhecer o embargado sabor de um beijo. Assim seria.

Aos 17 anos, eu carregava o estranho fardo de nunca ter beijado. Desconhecia o calor de outra boca, o som de outro coração junto ao meu. A emoção de dividir, compartilhar, viver no enlace de dois lábios. A minha boca era uma boca indecifrada, assim como o era meu coração carente de afetos, amigos... Quis ainda esgueirar-me, na tão conhecida sina de fugir das barreiras humanas. A indiferença dos colegas. A invisibilidade frente ao que eu nem sequer ousava cobiçar. A rejeição. O vazio. A sede por algo que não sabia nomear.
A vítima do dia, acaso dos acasos, era eu. Apostas e arranjos proclamavam os beijos. Os grupos moviam-se como ondas no concreto. Ai dos corações ansiosos pelos primeiros vôos, todos eram mestres e todos aprendizes. Os populares. Os belos. Os legais. Os nerds. Os emos. Os roqueiros. A longa e infinda lista da fauna humana unida por um ideal, por um gosto, por uma forçosa afinidade. A individualidade cedendo ao grupo. A matilha ao comando de um alfa.

Alguns não tinham tribos, vagamente denominados Os esquisitos, não andavam em bando, não havia semelhança na esquisitice individual. Os esquisitos eram principalmente os solitários.

Eu?
Eu era uma esquisita.

Ele?
Ele era inclassificável, ele era simplesmente o sonho real.

Elas eram apenas cruéis.

Descobriram a inocência no olhar ressabiado. Descobriram minha sede, a fome de um mundo que somente espiava. Seduziram-me. Simularam. Mentiram. Manipularam.

Eu?
Acreditei.

Depois foram apenas espinhos, a carne dilacerada. Os risos, o deboche, o escárnio. A ferida que não mais deixaria de doer. A boca vazia do tato, o coração partido em migalhas, as risadas ásperas impregnadas em mim.

Corri.
Por um longo tempo corri por ruas desconhecidas. Quando percebi, era noite, era o nada de uma estrada de chão. No meu desespero, procurei a solidão de um caminho ermo.

A lua alta no céu, imensa e sedutora iluminava a escuridão. Odiei o luar, aquele maldito e belo luar. Na dor que me consumia, sua beleza radiante feria-me ainda mais.

Foi quando a fera surgiu. Não houve tempo para sentir sua presença.
Seu beijo me consumiu. Literalmente.
A ferocidade dos dentes devorava meus lábios naquele primeiro beijo. O sangue derramando-se na minha pele enquanto nacos de mim eram arrancados na dor física de ser devastada, devorada. O bafo queimava-me, sentia a pele rasgada por dentes ferinos, pêlos que me roçavam quase suaves enquanto a criatura alimentava uma fome tão feroz como a minha. Um carro em velocidade interrompeu a refeição. Entre grunhidos e uivos raivosos, afastou-se rosnando.

Eu fiquei no asfalto gelado, mergulhada no sangue que deixava meu corpo. Tão perto senti o luar se aproximando. Seus raios cobriam-me, envolviam-me. A dor rasgava minha carne e sentidos. O luar queimava-me. Naquela noite arrastei-me e lamentei minha sina em meio ao matagal. Encolhida na dor, velada pela odienta beleza do luar.

Depois apenas um longo vazio. Pesadelos. A luta entre a fera e a doçura. A fome cresceu. E um aroma pungente me despertou. Guiada pela sede que sempre me consumira encontrei um sabor que me saciou enfim. Agridoce rubi que sorvi, pouco ciente da fera que vencia. Devastei, consumi, estraçalhei... A lua fitava-me, ela que inconstante aproxima-se e afasta-se arrastando o que outrora eu possuia de humanidade, ela que acolhe meus lamentos e liberta-me enfim.

Assim foi, talvez.

Eles, os outros, continuam lá. Na ferocidade das matilhas humanas, na caçada cotidiana, armadilhas entre concreto e asfalto. Mas já não há mágoas, já não há sentimentos, não há nada além da fome que me consome. Nada além de um beijo que ofereço em rubra carne trêmula. Dentes e bocas que dilaceram enquanto uivo ao luar.

Nada além da agridoce saciedade.


Última edição por Tânia Souza em Qua 14 Abr 2010 - 18:33, editado 1 vez(es)
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Re: Desafio Literário - 13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

Mensagem por Victor em Ter 13 Abr 2010 - 16:02

T, o que posso dizer deste conto...Incrível é palavra, ainda, que não faz justiça à esta história, ao ritmo dos acontecimentos, à união que viceja fulgurante entre a personagem principal, seus medos, seus conflitos e as possibilidades de sua nova natureza para com estas características mais que humanas, e que podem tomar contornos inescrutáveis qdo encontram um "endereço" tão irascível. Como sou fã incorruptível dos filhos de Licaão, saboriei esta narrativa alucinada, triste, feroz, poética e contumaz. Na verdade dos lobisomens. Na verdade de criaturas que fazem dos anseios, das frustrações e das expectativas humanas, lugares comuns e, de certa forma, vulgares e mesquinhas. T, CONTAÇO!!!
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Re: Desafio Literário - 13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

Mensagem por Flávio de Souza em Ter 13 Abr 2010 - 21:31

Uivando estou eu! Que maravilha! Da mesma maneira que o Victor, não é surpresa que sou fã dos lobos. Caramba, estou surpreso, confesso que não esperava esse desfecho. A Tânia começou de uma forma tão doce, flertando com o mundo teen, e de repente: Pow! Parabéns, mesmo! Show!
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Re: Desafio Literário - 13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

Mensagem por Poleto em Qua 14 Abr 2010 - 9:11

É um delicioso soco no meio da testa este conto!
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Re: Desafio Literário - 13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

Mensagem por Celly Borges em Qua 14 Abr 2010 - 13:52

Tá, a T permitiu que eu comentasse o conto, pode ser bobeira, mas quando li pela 1ª vez - a T mostrou no msn -, percebi que poderia, na verdade, ser uma alegoria para o 1° bjo da mocinha...

É só isso, nada demais...
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Re: Desafio Literário - 13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

Mensagem por Flávio de Souza em Qua 14 Abr 2010 - 16:50

O BEIJO

O perfume doce de seus cabelos invadiu-me as narinas trazido pela brisa fresca da noite. Mal pude conter minha ansiedade durante as longas horas que nos separaram. Quis de imediato tê-la sob meu domínio, mas seus traços únicos e simétricos, que tanto me fizeram lembrar de uma época há muito esquecida, exigiam que o cenário se mostrasse à altura do que a ocasião solicitava. Algo muito diferente das vielas úmidas e escuras, as quais invariavelmente compunham o pano de fundo das minhas ações.

A conheci na noite anterior, posso até mesmo dizer que foi ela quem me encontrou, pois seus olhos de límpidas safiras enlaçaram-me como num feitiço. Um chamado mudo fez com que eu tomasse assento ao seu lado. O calor de suas mãos contrastava com o imutável gelo de minha pele morta. Seu sorriso fácil sugeria a irrelevância do detalhe. Viajei por alguns instantes ao observar cada curva do seu rosto. Era possível enxergar nele os detalhes perfeitos que costumavam acelerar o ritmo em meu peito. Se eu tivesse um coração, este estaria prestes a explodir.

Fixei meu olhar nos contornos magnéticos dos seus lábios, um conjunto irresistível de maciez tenra e tonalidade desejável. Como eu quis sentir a ardência rubra do seu toque. Mas, como tudo que nos é caro, tal prêmio não seria conquistado de forma imediata. Eu poderia esperar. Tamanha raridade não era merecedora de impetuosidade de minha parte. Com a mesma desenvoltura que se fez surgir, ela partiu, não sem antes fazer brotar um sorriso em meu semblante pálido, foram poucas palavras, porém mais do que suficientes para minhas pretensões, eu seria bem-vindo em seus domínios!

Agora estou aqui. Inspirando o ar noturno. Peneirando os aromas delicados de sua presença. Devo confessar que um nervosismo incompatível com a minha condição me domina, algo inadmissível para alguém com as eras a seu favor, mas perfeitamente compreensível quando se trata de humanidade. Pela primeira vez em muito tempo, a ferocidade de minha existência era subjugada por um sentimento tão pueril, mas que ainda assim se mostrava tão arrebatador quanto.

A janela, levianamente aberta, era um convite apropriado à minha investida. Com a leveza de uma sombra me esgueirei pelas saliências frias das paredes. Agachado na sacada, quis absorver a doçura do ambiente antes de impregná-lo com a viscosidade do meu caminhar. A luz tênue de um abajur quebrava a escuridão absoluta, algo desnecessário para o faiscar dos meus olhos. Analisei cada recanto dos seus aposentos. No calendário de cabeceira, a indicação do décimo terceiro dia do quarto mês, já não me interesso tanto pela escravidão proporcionada pelo tempo...

Ela estava estirava sobre a maciez alva de um lençol de seda, uma comunhão perfeita com os leves trajes que revestiam seu corpo. Seus braços enlaçavam uma almofada, como senti inveja daquele pequeno utensílio. Seu sono era doce e silencioso. Como uma folha ao vento, coloquei-me aos seus pés. Prendi seu tronco entre meus joelhos, tomando todo o cuidado para não despertá-la. Observei sua respiração. Deslizei como uma serpente traiçoeira e esperei a resposta. O azul dos seus olhos se deparou com o vermelho injetado dos meus, mas nenhum grito escapou de sua boca, a qual de maneira surpreendente me oferecia um sorriso.

Também sorri. Exibi meus dentes. Entretanto, estes não eram brancos e exuberantes como os dela, os enfeites em minha boca eram amarelados, frios e bestiais. Não esperei pela usual rejeição e cobri seus lábios com um beijo. Senti o calor de sua vida, algo que extrapolava toda a intensidade que um simples contato seria capaz de proporcionar. Uma ardência sem fim se expandia em meu peito. A brancura do lençol era maculada pela presença invasiva e marcante do sangue. Mas não era o líquido vital da jovem que jorrava em profusão sobre o colchão. O sangue ali presente era negro e morto, tão antigo como a própria vida.

Uma estaca maliciosamente oculta pela almofada estava agora cravada em meu peito. No entanto, nem a dor de uma nova morte fora capaz de separar-me daqueles lábios. Em poucos instantes o mundo não mais se lembraria de mim, mas meu último suspiro seria marcado pela toque único daqueles lábios. Intensidade que nunca tive antes em minha existência e que nunca mais voltaria a ter, infelizmente.
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Re: Desafio Literário - 13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

Mensagem por Celly Borges em Qua 14 Abr 2010 - 23:02

Flávio! Que conto incrível! Que final!!! Adoro esse tipo de final - não vou comentar, pq vai que alguém lê aqui antes...

Parabéns, mocinho!!!
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Re: Desafio Literário - 13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

Mensagem por Poleto em Qui 15 Abr 2010 - 10:04

Pois é... o Flavio mandou muito bem no conto dele.
É bom ver que o nível aqui nunca cai! Smile
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Re: Desafio Literário - 13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

Mensagem por Celly Borges em Qui 15 Abr 2010 - 14:37

O beijo

Um sorriso possessivo iluminou seu rosto, aquela não era mais uma alma, era a única que ela queria, desejava.

Ele a beijou e ela retribuiu, no momento em que ela lhe arrancava a alma pela boca, sugava, e tomava para si.

Uma alma perdida, agora prendida, levada para a caixa que jazia no armário.

Aquela alma pertencia a ela, e ela a tomara para si depois do beijo que selava o acordo. O pacto que foi feito quando ele disse pela primeira vez “Eu te amo” e ela sorriu.


Última edição por Celly Borges em Qui 15 Abr 2010 - 15:01, editado 1 vez(es)
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Re: Desafio Literário - 13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

Mensagem por Flávio de Souza em Qui 15 Abr 2010 - 14:57

Bem "foufo" Celly! Isso se interpretarmos pela ótica que eu acho ter sido a sua, ou seja, a troca de almas em nível de amor. Entretanto, podemos levar para um outro lado, algo mais macabro, como o pagamento por uma dádiva concedida. Então teríamos um beijo parecido com o oferecido pelos Dementadores do Harry Potter. O legal dos minicontos é que as poucas linhas, quando bem escritas como as suas, permitem o voo da imaginação do leitor.
Eu torço para ter sido um beijo "gelado" de uma alma roubada hehehehehe...
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Re: Desafio Literário - 13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

Mensagem por Tânia Souza em Qui 15 Abr 2010 - 15:05

A celly é mestre nos minicontos, já disse que o estilo dela é meio farpado e rápido, fica ótimo. E sendo da Celly, tenho certeza que o moçoilo perdeu a alma pela eternidade. O diferencial é que parece que tal prêmio é uma oferta, não roubado, não tomado. E o sombrio que fica na sugestão, na incerteza.

O tema beijo parece envolver o lado mais romântico dos autores, hehehe.... claro que um romântico bem cruelll Evil or Very Mad
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Re: Desafio Literário - 13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

Mensagem por Tânia Souza em Sab 17 Abr 2010 - 13:41

Ela


Por Tânia Souza

Ela estava em meus braços, o mais lógico dos seres também não teria resistido a leveza diáfana de sua presença. Meus olhos outrora nublados em lágrimas contemplaram embevecidos a beleza que tanto me torturara. Ah, saudade insana, cruel, desesperadora.

Coração acelerado em suspiros, garganta em febre, meu rosto lentamente aproximou-se daquela beleza em mármore. Sua boca, um botão translúcido. Sim, beijei-lhe a boca descorada. O gélido destino selou-se naquele instante de loucura e dor. Que me importava a meia-noite, o silêncio, e os olhos congelados das esculturas que me espiavam na penumbra de um cemitério secular?

Profanei aquele que deveria ter sido o seu último lar. Suas vestes imaculadas, os cílios longos na face lânguida. E lhe roubei a tempo dos vermes e seres infectos que ousariam profanar seu corpo sacro.

Minha? Não, nunca o fora, nunca seria.

Senti minhas forças deixando-me quando o sopro que me animava era lentamente absorvidos pelos lábios que tanto amei. E eu apenas dormiria meu sono eterno naquele leito que por pouco tempo fora o dela.

Quase inerte no sono da morte, vislumbrei seu renascer.

Depois, anjo insano sorrindo-me ainda em nubladas fantasias, partiu na noite sombria.

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Re: Desafio Literário - 13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

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