Entrevista

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Re: Entrevista

Mensagem por Afonso em Qua 2 Dez 2009 - 9:53

Poleto, que coisa boa gerou a tua pergunta, meu bom! Achei extremamente importante a discussão que se seguiu e as opiniões de cada um, em nível elevado, polido e respeitoso. Tô bobo com o argumento do nobre Henry, o contra-argumento do Poleto e intervenções adjacentes não menos valiosas. Fico até constrangido de dar pitaco aí no assunto porque eu sempre li de tudo, sabem? Você podem não acreditar, mas no começo li até Sidney Sheldon e o li porque era uma coisa tola que não sabia procurar as coisas direito e porque, meus pais, não vai aí nenhuma crítica a eles, a quem amo demais, eram pessoas que vieram da roça, gente simples, e não me orientaram a ler os grande clássicos tanto na literatura mainstream, quanto da litfan. Li muito refugo nesta minha vida! Até aquele livretos de bang-bang!!!


Então, me dificulta fazer citações destes grandes escritores! Fico de camorote assistindo a tudo com muita atenção! Hoje, quando o tempo permite, procuro ler os grandes mestres tanto na literatura mainstream quanto a litfan, mas sei que o meu tempo é outro e já passou! Não dá pra recuperar o tempo perdido e a formação e o gosto literário passam por aí também.

Agora, uma coisa não podemos negar! Quem quiser escrever bem a litfan, tem que necessariamente ler os grande da literatura mainstream, mesmo Machado de Assis, apesar de anacrônico, um tanto chato para este meu gosto popularesco, tem a sua serventia para qualificar a litfan. Atualmente, veja só, para melhorar a minha escrita estou lendo "O sorriso do Lagarto" de João Ubaldo Ribeiro e há um personagem, dentro do contexto do romance, que utiliza o discurso direto levemento gótico e rebuscado, uma lindura, que deixaria o Henry e Paulo Soriano embevecidos! Vivendo e aprendendo!

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Re: Entrevista

Mensagem por Tânia Souza em Qua 2 Dez 2009 - 10:21

Afonso, escrevi certa vez um texto pelo qual sou apaixonada, minha história de leitura, lá, percebi que passaram por essas retinas desde gibis, revistas, fotonovelas, romances, autores consagrados e outros nem um pouco, rss, acho que é preciso ler e conhecer de tudo um pouco para então formar um gosto pessoal. E, leitura por prazer é livre, não acredito em ler somente por ser clássico, é preciso ler com envolvimento, por prazer. Por crescimento pessoal, intelectual, enfim, leitura é algo tão pessoal e complexo, tão apaixonante, que quando o leitor e o livro estão ali, juntos, é um universo único que se cria, o resto não importa muito.
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Re: Entrevista

Mensagem por Poleto em Qua 2 Dez 2009 - 10:57

Com relação à linguagem usada, deixem-me contar uma pequena história:
Entre os anos de 1890 e 1950, tornaram-se muito populares, principalmente nos Estados Unidos, um tipo de revista que foram apelidadas de "Pulp Fiction". Basicamente, eram revistas voltadas para o entretenimento rápido e sem grandes pretensões artísticas. Eram revistas impressas em material barato, e custavam muito pouco, e vendiam bastante. As pulps surgiam como uma opção de leitura e diversão para uma grande massa de trabalhadores que emigrava do campo para a cidade, formando o que seria chamado de sociedade de massas.

Uma das revistas mais famosas dentro deste padrão, era a Weird Tales. Para quem não sabe, a Weird Tales revelou nomes como H. P. Lovecraft, Clark Ashton Smith, Robert E. Howard, Roberto Bloch e muitos, muitos outros. Muitos autores iniciavam suas carreiras através das Pulp Fictions, para depois tornarem-se conhecidos e depois partirem para mercados que pagassem mais.

Alguns nomes de peso que já escreveram em Pulps:
Isaac Asimov
Robert Bloch
Ray Bradbury
Fredric Brown
Raymond Chandler
Arthur C. Clarke
Joseph Conrad
Philip K. Dick
Arthur Conan Doyle
Lord Dunsany
Rudyard Kipling
O. Henry
Robert E. Howard
H. P. Lovecraft
Clark Ashton Smith
Mark Twain
Jack Vance
H. G. Wells

A lista é grande, e com grandes nomes. Alguns destes escritores tiveram o seu auge (mesmo que o auge, na época, não fosse muita coisa) enquanto escreviam para as pulps, como H. P. Lovecraft.

Que há uma idéia generalizada de que os pulp fiction são uma forma menor de literatura. Muitos, inclusive, traduzem o termo como literatura barata. Porém, nada pode ser mais falso. Em mais de um século de existência, os pulp publicaram alguns dos grandes autores de sua época e revelaram grandes nomes da literatura (vide lista acima).

O que quero dizer com isso? Quero apenas afirmar o que já foi dito: o que importa não é a linguagem usada, e sim as idéias. E não venham me dizer que nestas pulps a linguagem usada era a forma culta do idioma. Não, era a linguagem simples. Correta, mas simples. Não exatamente a linguagem que era falada pelas massas, mas o equivalente escrito a isso.
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Re: Entrevista

Mensagem por Celly Borges em Qua 2 Dez 2009 - 13:35

Falando em revista Pulp Fiction, foi lançada em Curitiba, num dos melhores cafés que já fui, Café Quintana - que funciona como uma biblioteca, tb, os clientes podem emprestar livros, e todos os lados que vc olha tem prateleiras, estantes... aiai, um sonho... Enfim, a revista se chama Lama

Tem contos de vários escritores como Martha Argel e Giulia Moon. Uma foto novela... Bacana a qualidade da revista.
Foi lançada também no RJ e SP.
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Re: Entrevista

Mensagem por Henry Evaristo em Qua 2 Dez 2009 - 14:23

Poleto escreveu:Com relação à linguagem usada, deixem-me contar uma pequena história:
Entre os anos de 1890 e 1950, tornaram-se muito populares, principalmente nos Estados Unidos, um tipo de revista que foram apelidadas de "Pulp Fiction". Basicamente, eram revistas voltadas para o entretenimento rápido e sem grandes pretensões artísticas. Eram revistas impressas em material barato, e custavam muito pouco, e vendiam bastante. As pulps surgiam como uma opção de leitura e diversão para uma grande massa de trabalhadores que emigrava do campo para a cidade, formando o que seria chamado de sociedade de massas.

Uma das revistas mais famosas dentro deste padrão, era a Weird Tales. Para quem não sabe, a Weird Tales revelou nomes como H. P. Lovecraft, Clark Ashton Smith, Robert E. Howard, Roberto Bloch e muitos, muitos outros. Muitos autores iniciavam suas carreiras através das Pulp Fictions, para depois tornarem-se conhecidos e depois partirem para mercados que pagassem mais.

Alguns nomes de peso que já escreveram em Pulps:
Isaac Asimov
Robert Bloch
Ray Bradbury
Fredric Brown
Raymond Chandler
Arthur C. Clarke
Joseph Conrad
Philip K. Dick
Arthur Conan Doyle
Lord Dunsany
Rudyard Kipling
O. Henry
Robert E. Howard
H. P. Lovecraft
Clark Ashton Smith
Mark Twain
Jack Vance
H. G. Wells

A lista é grande, e com grandes nomes. Alguns destes escritores tiveram o seu auge (mesmo que o auge, na época, não fosse muita coisa) enquanto escreviam para as pulps, como H. P. Lovecraft.

Que há uma idéia generalizada de que os pulp fiction são uma forma menor de literatura. Muitos, inclusive, traduzem o termo como literatura barata. Porém, nada pode ser mais falso. Em mais de um século de existência, os pulp publicaram alguns dos grandes autores de sua época e revelaram grandes nomes da literatura (vide lista acima).

O que quero dizer com isso? Quero apenas afirmar o que já foi dito: o que importa não é a linguagem usada, e sim as idéias. E não venham me dizer que nestas pulps a linguagem usada era a forma culta do idioma. Não, era a linguagem simples. Correta, mas simples. Não exatamente a linguagem que era falada pelas massas, mas o equivalente escrito a isso.

As pulp fiction na maioria das vezes eram saídas para autores que de outra forma não teriam mais onde publicar. E muitos nomes famosos publicaram ali sem ganhar nenhum centavo por isso. Eram revistas de circulação popular, o que não significa que seu conteúdo fosse elaborado especificamente dentro desta linguagem.

De qualquer forma, no tempo de Horace Walpole, Nathaniel Hawthorne, Emily Brontë, Edgar Alan Poe e contemporâneos, não existiam pulp fictions! Todos os autores citados na lista acima, apesar de hoje serem por nós chamados de clássicos, na verdade são escritores modernos (que já não faziam parte da literatura gótica) mesmo que muitos deles ainda mantivessem uma linguagem mais elevada como a dos autores de períodos anteriores.

Ao mesmo tempo, há um paradoxo aí: A litfan era discriminada justamente por ser considerada a mais popular das literaturas da época. Mas isso tmbm não pressupõe que fosse elaborada de forma chula ou crassa como é comum nos escritos dos autores que adotam a linguagem popular. Esses autores, mesmo os modernos que publicavam nas pulp fictions, sempre primavam por um elemento "poético" em suas linguagens, algo mais teatral, mais reflexivo, até um senso mais naturalista nas coisas que escreviam e isso por si só já os distanciava da linguagem meramente popular.

A maioria dos autores atuais perderam esse senso poético, dramático, enfático. Hoje em dia, quando um personagem de um livro atual vê um fantasma, ou ele o trata como se fosse o vizinho, ou diz: Holy shit! srrssrrs. Não há mais o estarrecimento diante das coisas que havia nos primeiros anos da litfan. É claro que isso é de forma geral, digo, na maioria dos casos! É obvio que podemos encontrar por aí, em livros de terror atuais, personagens que não chamam os vampiros, fantasmas e lobisomens, de "motherfuckers!".

Agora, quero fazer uma ressalva: Tudo o que estou falando sobre esse assunto, se refere unicamente à litfan universal. Não me refiro, em momento nenhum, a autores brasileiros de nenhuma época; até por que não entendo absolutamente nada de literatura brasileira. Não gosto de literatura brasileira, e nunca consegui ler por inteiro nenhum dos ditos clássicos da literatura brasileira.
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Re: Entrevista

Mensagem por Barreto em Qua 2 Dez 2009 - 15:23

Celly Borges escreveu:Falando em revista Pulp Fiction, foi lançada em Curitiba, num dos melhores cafés que já fui, Café Quintana - que funciona como uma biblioteca, tb, os clientes podem emprestar livros, e todos os lados que vc olha tem prateleiras, estantes... aiai, um sonho... Enfim, a revista se chama Lama

Tem contos de vários escritores como Martha Argel e Giulia Moon. Uma foto novela... Bacana a qualidade da revista.
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Celly, o pessoal do lamaçal aceita o envio de contos? Digo, há a possibiliddade de enviarmos contos e eles publicarem ou é tudo fechado para os escritores citados no site?

Esclareça essa dúvida, nobre senhorita!

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Re: Entrevista

Mensagem por Poleto em Qua 2 Dez 2009 - 15:48

Acho que o grande motivo do preconceito com a Literatura Fantástica é o afastamento da realidade, que exige que o leitor assuma que algumas afirmações dos autores sejam verdadeiras, coisas que podem até parecer inverossímeis se analisadas sob a ótica da racionalidade.

O Terror é o que mais sofre, pois além disso, ainda é visto como Literatura de entretenimento, o que é motivo de desprezo por parte de qualquer crítico. E, de fato, a maioria das produções do gênero são única e exclusivamente entretenimento (e sinceramente, não vejo mal algum nisso).

Embora, se tomarmos como exemplo Jorge Luís Borges, que era um escritor de Literatura Fantástica, não vemos preconceito contra ele. Do contrário, quase foi agraciado com um nobel de literatura.
Acho que a questão é sobre o que o texto aborda. Se questionar o comportamento humano através de metáforas espaço-temporais, é culto, é erudito, e portanto, aceito pela crítica. Se analisar o comportamento humano através de zumbis, então é lixo.
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Re: Entrevista

Mensagem por Celly Borges em Qua 2 Dez 2009 - 16:49

Barreto escreveu:
Celly Borges escreveu:Falando em revista Pulp Fiction, foi lançada em Curitiba, num dos melhores cafés que já fui, Café Quintana - que funciona como uma biblioteca, tb, os clientes podem emprestar livros, e todos os lados que vc olha tem prateleiras, estantes... aiai, um sonho... Enfim, a revista se chama Lama

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Celly, o pessoal do lamaçal aceita o envio de contos? Digo, há a possibiliddade de enviarmos contos e eles publicarem ou é tudo fechado para os escritores citados no site?

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Sim, eles aceitam contos, acredito que através do email que está no site, para informações.
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Re: Entrevista

Mensagem por seguidorlovecraft em Qua 2 Dez 2009 - 18:58

Poleto escreveu:Acho que o grande motivo do preconceito com a Literatura Fantástica é o afastamento da realidade, que exige que o leitor assuma que algumas afirmações dos autores sejam verdadeiras, coisas que podem até parecer inverossímeis se analisadas sob a ótica da racionalidade.

O Terror é o que mais sofre, pois além disso, ainda é visto como Literatura de entretenimento, o que é motivo de desprezo por parte de qualquer crítico. E, de fato, a maioria das produções do gênero são única e exclusivamente entretenimento (e sinceramente, não vejo mal algum nisso).

Embora, se tomarmos como exemplo Jorge Luís Borges, que era um escritor de Literatura Fantástica, não vemos preconceito contra ele. Do contrário, quase foi agraciado com um nobel de literatura.
Acho que a questão é sobre o que o texto aborda. Se questionar o comportamento humano através de metáforas espaço-temporais, é culto, é erudito, e portanto, aceito pela crítica. Se analisar o comportamento humano através de zumbis, então é lixo.

O nobre amigo disse uma palavra: racionalidade. Não seria essa racionalidade a causadora de tanto estranhamento ( acho que essa palavra não expressa muito bem o que eu quero), talvez até 'preconceito' quanto a Lit.Fan., hodierno? Quero dizer, estamos em tempo de super máquinas que farão o mesmo movimento que originou o surgimento so nosso sistema solar/mundo (bem, em contrapartida, abre-se espaço aí para novas e assustadoras histórias que envolvem buracos negros 'fabricados' por humanos - eu estou tentando escrever uma história sobre isso), tem cientista falando que, através da ciência (algo racional, e não emocional), está provando a existência de Deus! (aqui abre-se outro espaço: imagine se Deus, na verdade, é uma super máquina que nos controla de uma forma que erroneamente pensamos ser "telepaticamente"!)

Amigo Afonso, estou mais ou menos na mesma situação que a tua.

(Editado! Um parágrafo em que mais parece uma reclamação acerca do péssimo método usado por professores na minha época de primeiro grau [91-98], em que obrigavam o aluno a ler livros para passar de ano, e ainda a fazer relatórios/resumos - naquele sentido: Você só vai ser aprovado de ano se ler 9 livros! E isso é errado.)

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Última edição por seguidorlovecraft em Qua 2 Dez 2009 - 19:43, editado 1 vez(es)
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Re: Entrevista

Mensagem por seguidorlovecraft em Qua 2 Dez 2009 - 19:01

Celly Borges escreveu:
Barreto escreveu:
Celly Borges escreveu:Falando em revista Pulp Fiction, foi lançada em Curitiba, num dos melhores cafés que já fui, Café Quintana - que funciona como uma biblioteca, tb, os clientes podem emprestar livros, e todos os lados que vc olha tem prateleiras, estantes... aiai, um sonho... Enfim, a revista se chama Lama

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Celly, o pessoal do lamaçal aceita o envio de contos? Digo, há a possibiliddade de enviarmos contos e eles publicarem ou é tudo fechado para os escritores citados no site?

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Sim, eles aceitam contos, acredito que através do email que está no site, para informações.
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Vou conferir também,
Obrigado pela dica, Celly!

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Re: Entrevista

Mensagem por Tânia Souza em Qui 3 Dez 2009 - 15:01

Pergunta...bounce

Henry, em várias ocasiões, você se referiu à música eletrônica como uma grande paixão. Poderia nos falar um pouco mais sobre esse fascínio e, em sua opinião, quais são as personalidades realmente importantes no cenário musical contemporâneo? A relação que você tem com a música relaciona-se de alguma maneira com a sua paixão pela literatura?


Última edição por Poleto em Qui 3 Dez 2009 - 15:07, editado 1 vez(es) (Razão : Editado para diferenciar este post como uma pergunta, marcando-o como azul! :))
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Re: Entrevista

Mensagem por Henry Evaristo em Qui 3 Dez 2009 - 15:55

Tânia Souza escreveu:Pergunta...bounce

Henry, em várias ocasiões, você se referiu à música eletrônica como uma grande paixão. Poderia nos falar um pouco mais sobre esse fascínio e, em sua opinião, quais são as personalidades realmente importantes no cenário musical contemporâneo? A relação que você tem com a música relaciona-se de alguma maneira com a sua paixão pela literatura?

Dizem que determinados grupos de pessoas costumam gostar de determinados grupos de coisas. Observo isso, por exemplo, com relação ao terror e ao humor: A maioria das pessoas que são muito ligadas ao universo do terror, têm bastante bom humor e apreciam também determinados filmes e livros de comédia, creio que tenha algo a ver com o espírito anarquista e reacionário destes dois universos; terror e humor, ambos apresentam versões alternativas do mundo criticando ou analisando, cada um a sua maneira, a ordem natural das coisas e os costumes das sociedades.

Mas eu observo isso também com relação à musica. Noto que boa parte dos escritores de terror atuais são fãs de musica pesada, heavy metal e diversas de suas vertentes, musica gótica ou musica industrial e música progressiva. Ora, a musica eletrônica de vanguarda, ou a dita musica eletrônica séria se insere no universo do rock progressivo, apesar de o pessoal do rock se morder com essa verdade, mas é a única verdade. Portanto, eu me insiro aí nesse meio também.

Nos anos setenta os pioneiros do rock progressivo começaram a, por algum motivo, aproximar suas concepções artísticas musicais das histórias de ficção científica. Grupos como Pink Floyd, Emerson Lake And Palmer, Alan Parson's Project e Hush passaram a se deixar influenciar profundamente pelos filmes, livros e gibis de ficção-científica. Por outro, lado, tanto na Europa, sobretudo Alemanha e França, quanto nos EUA estava havendo uma época de grandes descobertas e inovaçoes tecnológicas dos equipamentos de audio e instrumentos musicais. Era a aurora dos sintetizadores! E muitas bandas até mesmo deixaram de ser grupos de musica acústica para se tornarem bandas de musica sintetizada, como é o caso dos pioneiros do Kraftwerk. Antes mesmo deste período, vários maestros eruditos, regentes de orquestras sinfônicas na europa, haviam deixado de trabalhar com instrumentos acústicos e adotado os novos instrumentos eletrônicos que estavam surgindo todos cheios de possibilidades sonoras e musicais que iam mil anos além das possibilidades dos instrumentos "normais".

Lá por 1973, 74, 75, a aproximação entre grupos de rock progressivo ou psicodélico, e as bandas de musica sintética se deu com bastante força. E é possível se ouvir discos tanto do Pinik Floyd quanto do Kraftwerk extremamente semelhantes neste período. Ora, no meio de tudo isto, está a ficção-científica, que trabalha concepções literárias que vão de encontro aos anseios destes novos artistas da musica, ela lida com as coisas que vão além, que transcendem; lida com o futurismo! Nenhum estilo poderia reunir mais elementos que combinassem com a sonoridade de grupos como Tangerine Dream, Can, Pink Floyd, Vangelis, Jean-Michel Jarre, Alan Parson's Project, Silver Apples, Neu!, Can, e tantos outros, do que a ficção-científica. Ora, é a Sci-fi que nos leva para o espaço, o espaço nos propões mundos estranhos, esses mundos sugerem alienígenas que, por serem diferentes de nós são automaticamente maus e temíveis, e isso tudo conduz ao medo, ao estarrecimento, ao terror! E aí está a conexão de tudo isso com a literatura de terror, que por acaso se tornou a minha preferida.

Agora, se quisermos trazer tudo isso para um campo mais existencial, podemos dizer que pessoas que gostam de literatura fantástica e de musicas que evoquem as sensações de futurismo próprias da sci-fi são, geralmente, pessoas que sentem uma necessidade premente de se abster, de se separar da realidade em que vivem, pois não gostam dela ou não se sentem totalmente integrados a ela, são, portanto, gêneros e estilos de arte que proporcionam uma fuga momentânea da realidade através de sons transcendentes que fazem com que possamos fechar os olhos e imaginar outros mundos, ou... de textos que descrevam esses outros mundos e situações fora do normal.

Essas eram característas de grupos de musica progressiva dos anos 70 e 80, são ainda características de grupos de musica industrial atuais e sobretudo, são características da sonoridade de bandas sérias de música eletrônica. Ora, e são características também da litfan!

Obviamente, nem todo mundo que curte litfan automaticamente curte musica eletronica, mas essa ligação mental e o desenvolvimento destes gostos correlacionados nas pessoas tende muito fortemente a ocorrer, como ocorreu comigo e com diversas pessoas que conheço.
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Re: Entrevista

Mensagem por PAULO SORIANO em Sex 4 Dez 2009 - 12:03

Agora é a vez do Barão, com uma pergunta deveras curta:
Henry, como é saltar na escuridão?
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Re: Entrevista

Mensagem por Henry Evaristo em Sex 4 Dez 2009 - 12:49

PAULO SORIANO escreveu:Agora é a vez do Barão, com uma pergunta deveras curta:
Henry, como é saltar na escuridão?

Ih, acho que essa é a mais difícil de todas, rssrsrr! Mas talvez a resposta seja tão curta quanto a pergunta:

Saltar na escuridão é deixar falar a noite que o ser humano trás dentro de si desde sempre, e que nossos sistemas sociais nos treinam a manter bem escondida. É se divertir com o olhar que o abismo lhe dá quando vc o encara por muito tempo...É ter ao menos...uma ... "simpatia pelo diabo", rssrsr! É adorar a beleza do feio, a perversão da poesia, e a escuridão dos instintos mais primitivos.

Saltar na escuridão é se deixar afundar para dentro do caldeirão de nossas próprias sombras e das sombras do mundo que nos cerca, e saber enxergar essas sombras, lidar com elas, domesticá-las e faze-las agir ao seu comando ainda que temendo-as profundamente. O autor de terror é um domador das trevas! Mas, os descuidados podem acabar dominados por elas...
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Re: Entrevista

Mensagem por seguidorlovecraft em Sex 4 Dez 2009 - 15:07

Henry, ótimas respostas.
E tenho um apreço especial pela última, gostei do fragmento "...se divertir com o olhar que o abismo lhe dá quando vc o encara por muito tempo...É ter ao menos...uma ... "simpatia pelo diabo", rssrsr! É adorar a beleza do feio, a perversão da poesia, e a escuridão dos instintos mais primitivos."

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